terça-feira, 29 de novembro de 2011

ESPERANÇA EM TEMPOS DE DESCRENÇA

A Bíblia diz no Salmo 90 ver. 12 “Ensina- nos a contar os nossos dias para que tenhamos um coração sábio”, mostrando- nos a importância de vivermos uma vida plena e feliz, sendo que o principio para esta vida é o temor a Deus, "O temor do Senhor é o principio da sabedoria", Prov. 01- 07.

Ora, a plenitude e a felicidade é algo que é buscado e almejado pelos seres humanos do mundo inteiro, tentamos encontra- la em diversas situações de nossa vida: nas relações entre pais e filhos, na amizade, no amor, etc.... Esta busca e desejo pela felicidade é algo que acontece entre nós desde a pré- historia até os nossos dias.

Podemos dizer que o ser humano esta em todo o momento em busca da plenitude e do bem viver (desde o primeiro suspiro “nascimento”, até o ultimo “morte”). Todavia, segundo á Bíblia a resposta para a plenitude e a felicidade, não se encontra nos bens, nos relacionamento, e em nossas realizações, sejam quais forem elas, mas em Deus, manifesto em Jesus, somente em Jesus é que encontramos sentido, ou seja, a plenitude e a felicidade da vida.

Olhando para o texto que lemos (Gênesis 5), percebemos que no principio após a criação do mundo, os homens estavam vivendo em plena rebelião contra Deus, não pautando as suas vidas nele, antes preferiram viver em constante rebelião contra Ele, tornando- se, portanto, inimigos de Deus, preferindo a injustiça em detrimento da justiça (Romanos 1. 18- 32). No entanto, a Bíblia mostra- nos as constantes investidas de Deus para reatar a sua relação com os homens.

 Isto, fica evidente quando olhamos o tipo de relações politicas e sociais que eram vividas entre estas pessoas, aonde, eram validas somente as leis dos mais fortes. Nesta sociedade, não havia espaço para a ideia de justiça, mas de injustiça (os mais fortes prevalesciam sobre os mais fracos).

Neste sentido, podemos dizer que estamos diante de um problema: como é alcançar a felicidade diante de um estado de rebelião? Para buscar compreender este problema e dar uma resposta ao mesmo, podemos nos perguntar: como surgiu o mau? Será o mal uma entidade criada por Deus? Ou, se não foi Deus quem o criou? Quem o criou? 

Eu concordo com a resposta do teólogo C. S. Lewis, que deu uma contribuição imensa para a nossa compreensão, qunado ele diz: que Deus não é o criador do mau, mas que, no entanto, deu- nos a liberdade de escolher entre este e o bem. Esta resposta é importante, porque nos ajuda a entender que Deus não criou o Diabo, mas que este por escolha própria se tornou em inimigo de Deus por escolha própria (desculpem- me os soberanistas calvinistas).    

Partindo deste pré- suposto, podemos dizer que os homens são maus por escolha própria e que sua rebelião é o exercício de sua liberdade.

(Um adendo faz- se necessário em questão de clareza. A figura sombria e sangrenta de Hitler, por exemplo, que com a ajuda de vários alemães mataram mais de seis milhões de judeus nos campos de concentração, pode nos ajudar em nossa reflexão. Se pensarmos no ser humano que foi este personagem, podemos dizer com certeza que ele não nasceu mau. Mas as experiências de sua vida e as suas escolhas, é o que o transformou nesta figura monstruosa que nos assusta. E que consequentemente tornou- se inimigo de Deus.)[1]

Olhando os desdobramentos de nossa história, percebemos que os homens muitas vezes se afastaram de Deus inclusive a sua igreja (ver a história do cristianismo na Idade Média, por exemplo), ou o homem moderno pensavam que com o avanço das ciências, das artes e das grandes conquistas sociais na Europa (Revolução Inglesa, Industrial e Francesa, Iluminismo) a ideia de Deus não seria mais necessária.  Esta situações de descrença desaguou em um mundo totalmente desumano e cruel (pessimismo total, “vazio”). Um mar de sangue repleto de vitimas.

Dando um salto para a nossa época, a nossa sociedade herdou (inclusive as denominações cristãs, diga- se de passagem o neopentecostalismo evangélico) estes valores, de descrença e desconfiança com relação á Mensagem do Evangelho e em Deus. Estamos vivendo hoje uma crise na espiritualidade, deixando, portanto, um vazio.

E isto, torna- se pior quando olhamos para os escandalos causados por religiosos sejam eles lideres de diversos segmentos cristãos, sejam elas Católicas ou Protestantes.

Todavia, não devemos nos esquecer de erguer a bandeira do evangelho e apregoar ao mundo (a nossa esperança) que apesar de nossa infidelidade e incredulidade, não anulamos a fidelidade e o amor de Deus, como diz o apostolo Paulo, na epistola aos Romanos 3. 1- 4: “1 Qual é logo a vantagem de ser judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? 2 Muita, em toda a maneira, porque, primeiramente, as palavras de Deus lhe foram confiadas, 3 Pois quê? Se alguns foram incrédulos, a sua infidelidade aniquilara a fidelidade de Deus? 4 De maneira nenhuma; sempre seja Deus verdadeiro e todo o homem mentiroso. Pois, é Deus que santifica o seu nome em nós Ezequiel 36. 23: E eu santificarei o meu grande nome, que foi profanado entre as nações, o qual profanastes no meio delas; e as nações saberão que eu sou o Senhor, diz Jeová, quando eu for santificado aos seus olhos.

Apesar deste cenário tão tenebroso, temos a impressão que o crescimento (inchaço) que tem havido nas igrejas evangélicas brasileiras, por exemplo, de alguns anos para cá, é um sinal de avivamento.
Todavia, não é isto o que esta acontecendo, pois, no mundo pós- moderno, a religião, ou seja, “Deus virou mercadoria”. Muitas pessoas são levadas as igrejas não com a finalidade de terem um encontro com Deus, mas, sim de barganharem com o mesmo. Jesus deixou de ser o Cristo libertador, para se tornar Mago! Atente- mos para a repreensão de Pedro contra os que praticam tais coisas, em Atos 8. 20- 22.

Estes fenômenos sociais nos mostram o grande desafio que temos pela frente. Portanto, não podemos nos calar diante desta situação, e de maneira profética, como os profetas do A. T, Jesus e os seus apóstolos denunciar estas perversões sociais e do Evangelho.  

Assim como havia uma esperança sobre a figura de “Noé”, pois, acreditavam que o mesmo traria consolação para aquela geração, da mesma forma existe uma expectativa sobre nós. De trazer esperança para um mundo devastado pela descrença.



Conclusão



Pai, não sois primeiro nosso Juiz e Senhor, mas Nosso Pai

por que ouvis o clamor de vossos filhos oprimidos.

Que estais no céu

Para onde se dirige nosso olhar na luta.

Santificado seja vosso agir libertador contra os que oprimem

em vosso nome.

Venha nós a vossa justiça a começar pelos empobrecidos.

Seja feita a vossa libertação que principia na terra e termina no céu.

O pão de cada dia que juntos produzimos, dai- nos juntos come- lo.

Perdoai- nos o nosso egoísmo na medida em que combatemos

O egoísmo coletivo.

E não nos deixes cair na tentação

De explorar e de acumular.

 Mas livrai- nos

Da vingança e do ódio contra o mau que oprime e reprime.

Amém.            





[1] O presente exemplo, foi citado somente por uma questão de clareza, no entanto, não é nosso propósito se estender neste assunto, uma vez que desta temática podem surgir outras discussões.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A ditadura da ignorância

Politica e democracia



Quando pensamos em nossas relações sociais, é inevitável não pensarmos nos desdobramentos destas relações. A partir deste ponto, são discutidas em varias áreas do saber (na politica, educação, ecologia, religião, etc.), quais são os rumos que as nossas sociedades brasileiras (e no mundo) estão tomando, e aonde isto tudo vai parar.

Olhando para este panorama, percebemos que as sociedades se encontram em estado de alerta, frente à violência provocada pelas guerras que surgem todos os dias (e quando falamos em guerras estamos generalizando, trazendo a ideia de tudo o que provoca caos), a desordem nas sociedades, nas escolas, etc. Esta consciência de terror e caos, no entanto, não é o suficiente para tirar as pessoas da sua área de conforto. Todavia, este estado que se encontra nossa sociedade e o mundo, deveria causar em nós este desejo de mudança, nos levando a um engajamento politico em favor de uma sociedade e um mundo melhor, mais igualitário e humano.

 O grande problema que nos deixa assustados, é que quando se tomam decisões nunca se tomam decisões a partir da opinião pública, o que existe é um discurso ideológico (por parte dos poderosos ou daqueles que exercem algum tipo de poder) que leva as pessoas a pensarem que estão participando destas decisões.

Ora, podemos dizer então em uma linguagem mais filosófica e até teológica, que a população não exerce a sua liberdade plenamente, sendo manipuladas como marionetes nas mãos daqueles que de alguma forma exercem alguma influencia sobre as suas vidas[1] (na escola, na religião, na politica, etc...). Neste sentido, as percebemos que as pessoas não exercem de forma efetiva a sua autonomia[2]. Todavia, eu não culpo o povo (brasileiro) ainda mais quando temos consciência das mazelas de nossa história de sofrimento e abandono. Pensamos que seja necessário darmos um basta a este tipo de postura e lutarmos por nossos ideais, ainda que isto seja contrario ao pensamento de nossos amigos que estão no poder.

Ainda que isto pareça utópico, todavia, somos a favor daqueles como Martin Luther King, Nelson Mandela, dentre outros visionários, que tiveram o sonho de ter um país e um mundo com pessoas politicamente informadas, e que estão dispostas a lutar pelos seus direitos, e não permitir que homens corruptos afoguem nossos sonhos.

Dito isto, cabe à igreja de Cristo ser luz para os caminhos daqueles que estão na caverna da obscuridade, não somente apregoando um celeste porvir, mas trazendo uma consciência (politicamente correta) libertadora e que mostre os caminhos de esperança e de uma vida justa, necessárias a todos os seres humanos que foram criados a imagem e semelhança de Deus. Assim como o fez Jesus na sua época (Mateus 23) e toda a tradição profética do Antigo Testamento, que denunciavam as desigualdades sociais, reivindicando o direito dos órfãos e das viúvas.

Ou nós queremos ser a manifestação do anticristo no mundo? Será que Nietsche tinha razão, quando ele dizia que a igreja é a manifestação do anticristo?

A escolha amado leitor, esta em nossas mãos!

Afinal de contas, vivemos em um país democrático, ou em uma ditadura?



  



[1] Temos a total consciência que somos influenciados a todo o momento, no entanto, o tipo de influencia ao que me refiro, é algo que recebemos passivamente sem questionar os conteúdos que nos são passados.
[2] Em ligeiras palavras, podemos definir o autônomo como aquele que tem o poder para dar a si mesmo a regra, a norma, a lei é autônomo, ou seja, goza da liberdade. O heterônomo é aquele que não tem capacidade racional para a autonomia, ou seja, é aquele que recebe de outro as norma a lei. Isto foi tirado de: CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2002, pg. 338.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O caminho da tolerância

A palavra verdade é uma das palavras mais intrigantes que já vi. Podemos perceber o poder desta palavra historicamente, quando os homens na antiguidade (mais precisamente na Grécia antiga) buscaram encontra- la, sujeitando as suas vidas inteiras em busca e contemplação da mesma. Todavia, sem sucesso. Alguns até tiveram lampejos sobre a mesma, mas somente lampejos.

            A verdade é tão perturbadora que levou Pilatos a indagar Jesus: Que é a verdade?[1]

            Esta busca levou os homens na Idade Média a terem a impressão que a encontraram, sendo que os mesmos, trataram logo de aprisiona- la (dogmatização da verdade).  Sendo que logo depois (que tiveram a impressão que a encontraram) inventaram a palavra heresia, para rotular e matar aqueles que questionassem a mesma.

            Desde então, a busca pela verdade tornou- se algo semelhante à busca pelo Eldorado, tão procurado pelos nossos colonizadores, que atravessou a modernidade, com a descoberta do homem como a medida de todas as coisas (mal sabendo eles que Protágoras “o famoso sofista” já havia feito esta descoberta há dois milênios antes deles). Neste momento os homens também pensaram que enfim a encontraram, pois, os mesmos descobriram a ciência, e então disseram: eureca!!! Chegamos á verdade. No entanto, também se enganaram.

A busca pela verdade foi tão intensa (e é até hoje) que os homens gastaram horas discutindo, para ver quem é o mais forte entre a ciência e a religião. E passaram a eternidade inteira discutindo.

            Depois de refletir sobre toda esta história, só podemos chegar á mesma pergunta de Pilatos: O que é a verdade?

A resposta para esta pergunta ainda é um enigma a ser desvendado (gostaria muito de poder desvenda- lo). Todavia, gostaria de dar uma pista nesta busca: “seguir o coração”. Neste sentido eu sigo conselho de Pascal: O coração tem razões que a razão desconhece.[2]

Seguir o coração e respeitar as decisões alheias é uma das escolhas mais sensatas para quem quer encontrar a verdade, e o sentido da vida.

Gostaria de deixar claro amado leitor, que o fato de eu falar sobre a tolerância com relação ao próximo, não quer dizer que estou deixando de ser cristão por isto. Afinal de contas este era o fundamento da teologia de Jesus.





[1] Citação extraída da Bíblia , e se encontra no Evangelho segundo João 18. 38.
[2] PASCAL, Blaise. Pensamentos; 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1979. p. (Os pensadores).

domingo, 7 de agosto de 2011

EVANGELHO DE LUCAS 15. 11- 31



REFLEXÕES SOBRE A REALIDADE DE DEUS E A VIDA

O cristianismo é a única religião no mundo que chama Deus de Pai. Isto torna- se claro quando olhamos para a vida de Jesus, principalmente nos evangelhos, aonde percebemos a preocupação do Mestre em apontar este caminho. Esta atitude de Jesus causava estranheza nos religiosos de sua época, pois, era considerada uma blasfêmia.
Se observarmos esta questão no âmbito teológico (acadêmico ou popular) perceberemos que esta imagem bíblica ficou ofuscada, na história do pensamento cristão, por exemplo, principalmente no ocidente que se firmou sob a ideia do medo de um Deus carrasco que não esta nem um pouco preocupado com as fraquezas e limitações dos seres humanos. Podemos dizer que esta forma de pensar em Deus como Pai é praticamente nula na literatura do Antigo Testamento, principalmente no Pentateuco, aonde observando as tradições da Lei de Moisés percebemos que a imagem de Deus que era passada para as pessoas, era de um ser irado, vingativo, separado do mundo (Santo), ou seja, a figura de Deus estava associada ao medo.

E ai aparece Jesus apresentando- nos, uma outra face de Deus, um ser amoroso e que é apresentado na figura do Pai (Aba) que se fragiliza ao ver o regresso do filho perdido. Isto nos faz repensar algumas coisas a respeito de Deus.

1-    DEUS RESPEITA AS NOSSAS DECISÕES

Ao observar o texto percebemos a decisão do filho que decide ir embora para uma terra distante, decisão esta que não causou resistência por parte do pai. Com base nisto podemos nos questionar, mas porque o pai não barrou o filho rebelde, será ele um irresponsável? De modo algum.

A atitude do pai com relação ao filho rebelde foi a atitude de quem ama, e quem ama de verdade (no caso desta passagem, Deus), esta disposta abrir mão da força e do medo (I Jo. 4. 18), para estabelecer conosco uma relação de liberdade. E com base nesta passagem entendemos que só existe amor, quando a liberdade (Gal. 5. 1).

Deus não tem o interesse de nos privar de viver, ou seja, Ele não deseja que eu viva preso a preceitos morais que anulem a minha alegria de viver, Mt. 12.1- 8 (MEDO DAS PUNIÇÕES).

Mas dizer que sou livre não quer dizer que vou viver de qualquer maneira, mas sim que vou responder a vida de maneira responsável.



2-    DEUS É UM SER PACIENTE

Ora, além de respeitar a decisão do filho, o pai se mostra muito paciente, pois, o mesmo aguarda ansiosamente o regresso do filho. Neste sentido a paciência de Deus faz todo o sentido na vida do homem, pois, para Deus segundo os Evangelhos não faz nenhum sentido forçar o homem a aceita- lo através da força (MEDO), uma vez que o seu desejo é que o homem responda ao seu amor de forma voluntaria. Nós fomos chamados para a liberdade (Gl. 2. 4; I Co. 3. 17). Entendemos nesta passagem que Deus fez com a humanidade um pacto de amor eterno (Jer. 31. 3).

Ainda que  esta atitude do filho causa- se no coração do, pai dor e tristeza, ele prefere não interferir na decisão do filho, mesmo sabendo que o filho mais a frente iria sofrer, por conta de sua irresponsabilidade (Oséias 11. 1- 9).  





3-    DEUS SE FRAGILIZA DIANTE DA FRAQUEZA DO SER HUMANO (Filipenses 2. 5)

Bem, logo após meditarmos nesta outra face de Deus, e ao percebermos a atitude do Pai que corre ao ver seu filho retornar depois de tanto sofrer, podemos dizer que Deus se fragiliza diante da humanidade. Jesus fez cair por terra toda uma teologia que estava relacionada ao medo. Graças a esta revelação podemos agradecer a Deus pelo seu grande amor.

Baseados neste “Amor”, podemos pensar a relação de Justiça de Deus com o homem. Se pensarmos na questão da justiça, podemos nos perguntar qual é a função da justiça? Se esta pergunta for feita a um legislador, ele nos dirá: “Justiça é a constante e firme vontade de dar a cada um o que é seu”. Se Deus fosse nos dar o que merecemos de fato nós estaríamos perdidos. Portanto, ao olhar para o texto bíblico eu percebo que a justiça e a correção de Deus, acontece através dos desdobramentos de nossa história. Porém, existe algo que é fundamental nessa relação: a “GRAÇA” (Rom. 5. 1- 9). Somente Deus é Justo e Santo e todos nós devemos nos prostrar perante Ele (Hb. 12. 5- 12).



CONCLUSÃO

Concluímos então que cabe a nós respondermos ao chamado de amor que Jesus nos convida e vivermos em comunhão com Ele.

Amém

domingo, 24 de abril de 2011

Uma parábola de nossa época

Alguns dias atrás eu assisti ao filme Fúria de Titãs, e me chamou bastante atenção este filme. Além da riqueza em seus detalhes, como os efeitos especiais, o cenário montado, dentre outras coisas, o que mais me fascinou, foi notar a riqueza teológica do mesmo. Neste sentido, eu o compreendi o mesmo como uma parábola de nossa época, no estilo das narrativas bíblicas. 

A Bíblia é um livro Sagrado para os cristãos, contendo dois Testamentos (diferente da Tora Judaica que só contem o Ant. Testamento) que tem a finalidade de narrar à história da salvação, que se concretiza em Jesus.
Ora, a Bíblia é um texto que contem muitas parábolas, principalmente Novo Testamento, aonde elas aparecem com muita freqüência nos ditos de Jesus, nos Evangelhos Sinóticos. Mas afinal de contas, o que são parábolas?
O dicionário gramatical do grego do N. T. edição de bolso, é bastante objetivo quando diz que uma parábola é uma: “história curta e instrutiva que contém uma analogia” (DEMOSS, 2004, p. 129). Sendo um pouco mais intenso, o teólogo Benito Marconcini, no livro: Os Evangelhos sinóticos, diz: “O vocábulo significa uma “realidade posta ao lado”, literalmente “atirada junto”: é uma comparação que se prolonga, uma narrativa que compara duas realidades, uma delas conhecida e diretamente entendida na narrativa; a outra a ser descoberta no final, de tal modo, porém, que se chegue a entender a ambas como uma unidade. A verdade entendida por meio da narrativa, portanto, não é uma verdade fechada em si mesma, mas encontra seu pleno significado naquilo que se descobre além dela (MARCONSINI, 2004, p. 221).
Portanto, depois de darmos algumas pinceladas no significado teológico deste termo, podemos dizer que o filme Fúria de Titãs é uma parábola de nossa época. Chegamos a presente conclusão porque entendemos que o presente filme, apesar de ser uma ficção com um tom secular (bastante existencialista), o mesmo tem um conteúdo puramente religioso.
Digo isto, por dois motivos, o primeiro deles é que apesar de não sabermos quais são as reais convicções religiosas do presente autor (o francês Louis Laterrier), percebo neste filme muitos elementos religiosos, alguns bastante parecidos com a tradição cristã (isto é normal, uma vez que o autor é normal, porque o cristianismo permeia a cultura ocidental). O segundo motivo é um complemento do primeiro, pois, este filme tem um enredo plenamente teológico (metafísico podemos dizer), porque o autor busca mostrar como a mitologia era fundamental para explicação da realidade no mundo grego.
Ora, deixa eu explicar logo porque este filme é uma parábola de nossa época. Começaremos com um breve resumo do filme seguido de nossa conclusão.
Se prestarmos atenção no filmo perceberemos a ânsia dos gregos em viverem livres dos deuses, pois, estes acreditavam que eles poderiam viver sem os mesmos.
Indo um pouco mais adiante, perceberemos a fúria dos deuses por conta desta rebelião, aonde decidem declarar guerra contra os seres humanos, aonde é pedido a vida da princesa, em sacrifício aos deuses, caso contrário a terra seria destruída. Neste momento aparece a figura central do filme Perseu filho de Zeus (personagem bastante confuso), que tem a missão de salvar a humanidade. Perseu é auxiliado por Io, que é uma espécie de conselheira.
O filme termina depois da derrota de Crakem (monstro aquático, criado por Hades) para Perseu, que consegue trazer paz a humanidade.
Isto lembra, a ânsia de emancipação dos homens do Iluminismo, que convictos que a humanidade havia chegado a maturidade, buscaram se livrar de todos os elementos religiosos que cercavam a sociedade. Este momento histórico o teólogo Rubem Alves chamara de Exílio do Sagrado, momento este que os homens abrem mão de Deus, para adorarem a outro: a ciência e a tecnologia.
Podemos dizer que nenhum filme é feito por acaso, mas tem uma finalidade, ou seja, ele quer vender uma idéia. Os homens de nosso mundo quiseram se livrar de Deus (ou dos deuses), mas não conseguiram, pois, aonde eles fossem Deus estava lá gravado em suas mentes e corações. Podemos ver isto na tradição ocidental (como foi dito acima) com as idéias de secularização[1][1] e progresso (teleologia, ou seja, a história tem uma finalidade) que fazem parte da tradição cristã.
É uma pena que os homens na tentativa de se livrarem de Deus ou deuses, transformaram o mundo que eles almejavam que fosse um paraíso, em um inferno, com milhares de mortos, para cumprir esta missão de um mundo sem Deus.
No entanto foi- se percebendo que mesmo com todo o progresso de nossas sociedades, a ciência não respondia a todas as perguntas feitas pelo homem, é ai que nasce um fenômeno, que é chamado por muitos historiadores, de pós- modernidade, que é a volta da religião a esfera pública. Laçando ao chão todos os mitos criados pelo homem moderno, que acreditavam que com o progresso da sociedade a religião iria desaparecer. No entanto não foi isto o que assistimos no último século.
Seria à fúria dos Titãs?
É obvio que em muitas coisas nós não precisamos mais de Deus, para explicar a realidade (entendam o que estou querendo dizer), por exemplo: quando chove e caem raios que matam milhares de pessoas, eu não digo que os deuses estão furiosos (como diriam os gregos, por exemplo), mas que isto é um fenômeno da natureza e uma série de outros fatores. No entanto, problema pode ser resolvido por um “para- raios”. Ou então quando alguém cai no chão com a boca espumando, na maioria das vezes, eu sei que não é um demônio, mas que a pessoa sobre de epilepsia.
No entanto eu não posso dizer que por conta destas descobertas do homem que contribuíram muito para o desenvolvimento da humanidade, que Deus não existe, ou que ele seja desnecessário.  
O fenômeno dos fundamentalismos religiosos é um fenômeno deste momento de tensão, nasce como uma reação a este atitude ateísta, mas que acabou se tornando em terrorismo.
Neste sentido, o filme é uma parábola (ou seja, uma critica ao mundo moderno, ou pós moderno) que mostra os homens tentando se livrar de Deus, todavia, os homens se esqueceram que Deus é imortal.
Como se pode perceber a minha leitura não é de cunho apologético (descupem- me os conservadores fundamentalistas que vem em tudo o que não é cristão de forma negativa), mas de apreciação, tentando perceber qual é a contribuição do mesmo, no que diz respeito à reflexão teológica.
Concordo com a afirmação de Paul Tillich que diz: Deus esta presente na existência secular, tanto quanto está presente na existência sagrada. (TILLICH, 2006, P. 36).

Bibliografia
DEMOSS, Matthew S. Dicionário gramatical do Grego do Novo Testamento, São Paulo, Vida. 2004.
MARCONCINI Benito. Os Evangelhos sinóticos, São Paulo, Paulinas. 2004.
ALVES, Rubem. O que é religião? São Paulo, Edições Loyola. 2002.

TILLICH, Paul. Textos selecionados, São Paulo, Fonte Editorial. 2006. 



COX, Harvey. A cidade do homem: A secularização e a urbanização na perspectiva teológica. Paz e terra. Rio de Janeiro, 1971.
Refletindo sobre a fé


[1][1] Para uma leitura do cristianismo como uma religião secularizante ver: COX, Harvey. A cidade do homem: A secularização e a urbanização na perspectiva teológica. Paz e terra. Rio de Janeiro, 1971.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Uma data para relembrar...

Esta data nada comemorativa foi o dia em que criei o blog, com muitas dificuldades!
Estava querendo montar um blog a muito tempo atrás, mas não sabia como... rs' (Estava me sentindo como um homem da idade da pedra na era da internet).
O começo desse blog tem muita história!
Depois de voltar do futebol no CEU, com os meus amigos, perguntei ao Emerson, amigo desde a infância, se ele sabia como fazer um blog. E ele disse que não sabia (mas eu sabia que ele sabia rs... 'Desculpe minha redundância --'). Foi aí que entrou o Yuri, primo do Emerson, que me deu alguns toques de como montar este blog. Na verdade, ele me disse que nunca fez um blog, mas ajudou bastante.
Depois de muitas tentativas frustadas, deu certo.

Glórias a Deus!

Sejam bem vindos, para conhecer meu blog.