quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O caminho da tolerância

A palavra verdade é uma das palavras mais intrigantes que já vi. Podemos perceber o poder desta palavra historicamente, quando os homens na antiguidade (mais precisamente na Grécia antiga) buscaram encontra- la, sujeitando as suas vidas inteiras em busca e contemplação da mesma. Todavia, sem sucesso. Alguns até tiveram lampejos sobre a mesma, mas somente lampejos.

            A verdade é tão perturbadora que levou Pilatos a indagar Jesus: Que é a verdade?[1]

            Esta busca levou os homens na Idade Média a terem a impressão que a encontraram, sendo que os mesmos, trataram logo de aprisiona- la (dogmatização da verdade).  Sendo que logo depois (que tiveram a impressão que a encontraram) inventaram a palavra heresia, para rotular e matar aqueles que questionassem a mesma.

            Desde então, a busca pela verdade tornou- se algo semelhante à busca pelo Eldorado, tão procurado pelos nossos colonizadores, que atravessou a modernidade, com a descoberta do homem como a medida de todas as coisas (mal sabendo eles que Protágoras “o famoso sofista” já havia feito esta descoberta há dois milênios antes deles). Neste momento os homens também pensaram que enfim a encontraram, pois, os mesmos descobriram a ciência, e então disseram: eureca!!! Chegamos á verdade. No entanto, também se enganaram.

A busca pela verdade foi tão intensa (e é até hoje) que os homens gastaram horas discutindo, para ver quem é o mais forte entre a ciência e a religião. E passaram a eternidade inteira discutindo.

            Depois de refletir sobre toda esta história, só podemos chegar á mesma pergunta de Pilatos: O que é a verdade?

A resposta para esta pergunta ainda é um enigma a ser desvendado (gostaria muito de poder desvenda- lo). Todavia, gostaria de dar uma pista nesta busca: “seguir o coração”. Neste sentido eu sigo conselho de Pascal: O coração tem razões que a razão desconhece.[2]

Seguir o coração e respeitar as decisões alheias é uma das escolhas mais sensatas para quem quer encontrar a verdade, e o sentido da vida.

Gostaria de deixar claro amado leitor, que o fato de eu falar sobre a tolerância com relação ao próximo, não quer dizer que estou deixando de ser cristão por isto. Afinal de contas este era o fundamento da teologia de Jesus.





[1] Citação extraída da Bíblia , e se encontra no Evangelho segundo João 18. 38.
[2] PASCAL, Blaise. Pensamentos; 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1979. p. (Os pensadores).

domingo, 7 de agosto de 2011

EVANGELHO DE LUCAS 15. 11- 31



REFLEXÕES SOBRE A REALIDADE DE DEUS E A VIDA

O cristianismo é a única religião no mundo que chama Deus de Pai. Isto torna- se claro quando olhamos para a vida de Jesus, principalmente nos evangelhos, aonde percebemos a preocupação do Mestre em apontar este caminho. Esta atitude de Jesus causava estranheza nos religiosos de sua época, pois, era considerada uma blasfêmia.
Se observarmos esta questão no âmbito teológico (acadêmico ou popular) perceberemos que esta imagem bíblica ficou ofuscada, na história do pensamento cristão, por exemplo, principalmente no ocidente que se firmou sob a ideia do medo de um Deus carrasco que não esta nem um pouco preocupado com as fraquezas e limitações dos seres humanos. Podemos dizer que esta forma de pensar em Deus como Pai é praticamente nula na literatura do Antigo Testamento, principalmente no Pentateuco, aonde observando as tradições da Lei de Moisés percebemos que a imagem de Deus que era passada para as pessoas, era de um ser irado, vingativo, separado do mundo (Santo), ou seja, a figura de Deus estava associada ao medo.

E ai aparece Jesus apresentando- nos, uma outra face de Deus, um ser amoroso e que é apresentado na figura do Pai (Aba) que se fragiliza ao ver o regresso do filho perdido. Isto nos faz repensar algumas coisas a respeito de Deus.

1-    DEUS RESPEITA AS NOSSAS DECISÕES

Ao observar o texto percebemos a decisão do filho que decide ir embora para uma terra distante, decisão esta que não causou resistência por parte do pai. Com base nisto podemos nos questionar, mas porque o pai não barrou o filho rebelde, será ele um irresponsável? De modo algum.

A atitude do pai com relação ao filho rebelde foi a atitude de quem ama, e quem ama de verdade (no caso desta passagem, Deus), esta disposta abrir mão da força e do medo (I Jo. 4. 18), para estabelecer conosco uma relação de liberdade. E com base nesta passagem entendemos que só existe amor, quando a liberdade (Gal. 5. 1).

Deus não tem o interesse de nos privar de viver, ou seja, Ele não deseja que eu viva preso a preceitos morais que anulem a minha alegria de viver, Mt. 12.1- 8 (MEDO DAS PUNIÇÕES).

Mas dizer que sou livre não quer dizer que vou viver de qualquer maneira, mas sim que vou responder a vida de maneira responsável.



2-    DEUS É UM SER PACIENTE

Ora, além de respeitar a decisão do filho, o pai se mostra muito paciente, pois, o mesmo aguarda ansiosamente o regresso do filho. Neste sentido a paciência de Deus faz todo o sentido na vida do homem, pois, para Deus segundo os Evangelhos não faz nenhum sentido forçar o homem a aceita- lo através da força (MEDO), uma vez que o seu desejo é que o homem responda ao seu amor de forma voluntaria. Nós fomos chamados para a liberdade (Gl. 2. 4; I Co. 3. 17). Entendemos nesta passagem que Deus fez com a humanidade um pacto de amor eterno (Jer. 31. 3).

Ainda que  esta atitude do filho causa- se no coração do, pai dor e tristeza, ele prefere não interferir na decisão do filho, mesmo sabendo que o filho mais a frente iria sofrer, por conta de sua irresponsabilidade (Oséias 11. 1- 9).  





3-    DEUS SE FRAGILIZA DIANTE DA FRAQUEZA DO SER HUMANO (Filipenses 2. 5)

Bem, logo após meditarmos nesta outra face de Deus, e ao percebermos a atitude do Pai que corre ao ver seu filho retornar depois de tanto sofrer, podemos dizer que Deus se fragiliza diante da humanidade. Jesus fez cair por terra toda uma teologia que estava relacionada ao medo. Graças a esta revelação podemos agradecer a Deus pelo seu grande amor.

Baseados neste “Amor”, podemos pensar a relação de Justiça de Deus com o homem. Se pensarmos na questão da justiça, podemos nos perguntar qual é a função da justiça? Se esta pergunta for feita a um legislador, ele nos dirá: “Justiça é a constante e firme vontade de dar a cada um o que é seu”. Se Deus fosse nos dar o que merecemos de fato nós estaríamos perdidos. Portanto, ao olhar para o texto bíblico eu percebo que a justiça e a correção de Deus, acontece através dos desdobramentos de nossa história. Porém, existe algo que é fundamental nessa relação: a “GRAÇA” (Rom. 5. 1- 9). Somente Deus é Justo e Santo e todos nós devemos nos prostrar perante Ele (Hb. 12. 5- 12).



CONCLUSÃO

Concluímos então que cabe a nós respondermos ao chamado de amor que Jesus nos convida e vivermos em comunhão com Ele.

Amém

domingo, 24 de abril de 2011

Uma parábola de nossa época

Alguns dias atrás eu assisti ao filme Fúria de Titãs, e me chamou bastante atenção este filme. Além da riqueza em seus detalhes, como os efeitos especiais, o cenário montado, dentre outras coisas, o que mais me fascinou, foi notar a riqueza teológica do mesmo. Neste sentido, eu o compreendi o mesmo como uma parábola de nossa época, no estilo das narrativas bíblicas. 

A Bíblia é um livro Sagrado para os cristãos, contendo dois Testamentos (diferente da Tora Judaica que só contem o Ant. Testamento) que tem a finalidade de narrar à história da salvação, que se concretiza em Jesus.
Ora, a Bíblia é um texto que contem muitas parábolas, principalmente Novo Testamento, aonde elas aparecem com muita freqüência nos ditos de Jesus, nos Evangelhos Sinóticos. Mas afinal de contas, o que são parábolas?
O dicionário gramatical do grego do N. T. edição de bolso, é bastante objetivo quando diz que uma parábola é uma: “história curta e instrutiva que contém uma analogia” (DEMOSS, 2004, p. 129). Sendo um pouco mais intenso, o teólogo Benito Marconcini, no livro: Os Evangelhos sinóticos, diz: “O vocábulo significa uma “realidade posta ao lado”, literalmente “atirada junto”: é uma comparação que se prolonga, uma narrativa que compara duas realidades, uma delas conhecida e diretamente entendida na narrativa; a outra a ser descoberta no final, de tal modo, porém, que se chegue a entender a ambas como uma unidade. A verdade entendida por meio da narrativa, portanto, não é uma verdade fechada em si mesma, mas encontra seu pleno significado naquilo que se descobre além dela (MARCONSINI, 2004, p. 221).
Portanto, depois de darmos algumas pinceladas no significado teológico deste termo, podemos dizer que o filme Fúria de Titãs é uma parábola de nossa época. Chegamos a presente conclusão porque entendemos que o presente filme, apesar de ser uma ficção com um tom secular (bastante existencialista), o mesmo tem um conteúdo puramente religioso.
Digo isto, por dois motivos, o primeiro deles é que apesar de não sabermos quais são as reais convicções religiosas do presente autor (o francês Louis Laterrier), percebo neste filme muitos elementos religiosos, alguns bastante parecidos com a tradição cristã (isto é normal, uma vez que o autor é normal, porque o cristianismo permeia a cultura ocidental). O segundo motivo é um complemento do primeiro, pois, este filme tem um enredo plenamente teológico (metafísico podemos dizer), porque o autor busca mostrar como a mitologia era fundamental para explicação da realidade no mundo grego.
Ora, deixa eu explicar logo porque este filme é uma parábola de nossa época. Começaremos com um breve resumo do filme seguido de nossa conclusão.
Se prestarmos atenção no filmo perceberemos a ânsia dos gregos em viverem livres dos deuses, pois, estes acreditavam que eles poderiam viver sem os mesmos.
Indo um pouco mais adiante, perceberemos a fúria dos deuses por conta desta rebelião, aonde decidem declarar guerra contra os seres humanos, aonde é pedido a vida da princesa, em sacrifício aos deuses, caso contrário a terra seria destruída. Neste momento aparece a figura central do filme Perseu filho de Zeus (personagem bastante confuso), que tem a missão de salvar a humanidade. Perseu é auxiliado por Io, que é uma espécie de conselheira.
O filme termina depois da derrota de Crakem (monstro aquático, criado por Hades) para Perseu, que consegue trazer paz a humanidade.
Isto lembra, a ânsia de emancipação dos homens do Iluminismo, que convictos que a humanidade havia chegado a maturidade, buscaram se livrar de todos os elementos religiosos que cercavam a sociedade. Este momento histórico o teólogo Rubem Alves chamara de Exílio do Sagrado, momento este que os homens abrem mão de Deus, para adorarem a outro: a ciência e a tecnologia.
Podemos dizer que nenhum filme é feito por acaso, mas tem uma finalidade, ou seja, ele quer vender uma idéia. Os homens de nosso mundo quiseram se livrar de Deus (ou dos deuses), mas não conseguiram, pois, aonde eles fossem Deus estava lá gravado em suas mentes e corações. Podemos ver isto na tradição ocidental (como foi dito acima) com as idéias de secularização[1][1] e progresso (teleologia, ou seja, a história tem uma finalidade) que fazem parte da tradição cristã.
É uma pena que os homens na tentativa de se livrarem de Deus ou deuses, transformaram o mundo que eles almejavam que fosse um paraíso, em um inferno, com milhares de mortos, para cumprir esta missão de um mundo sem Deus.
No entanto foi- se percebendo que mesmo com todo o progresso de nossas sociedades, a ciência não respondia a todas as perguntas feitas pelo homem, é ai que nasce um fenômeno, que é chamado por muitos historiadores, de pós- modernidade, que é a volta da religião a esfera pública. Laçando ao chão todos os mitos criados pelo homem moderno, que acreditavam que com o progresso da sociedade a religião iria desaparecer. No entanto não foi isto o que assistimos no último século.
Seria à fúria dos Titãs?
É obvio que em muitas coisas nós não precisamos mais de Deus, para explicar a realidade (entendam o que estou querendo dizer), por exemplo: quando chove e caem raios que matam milhares de pessoas, eu não digo que os deuses estão furiosos (como diriam os gregos, por exemplo), mas que isto é um fenômeno da natureza e uma série de outros fatores. No entanto, problema pode ser resolvido por um “para- raios”. Ou então quando alguém cai no chão com a boca espumando, na maioria das vezes, eu sei que não é um demônio, mas que a pessoa sobre de epilepsia.
No entanto eu não posso dizer que por conta destas descobertas do homem que contribuíram muito para o desenvolvimento da humanidade, que Deus não existe, ou que ele seja desnecessário.  
O fenômeno dos fundamentalismos religiosos é um fenômeno deste momento de tensão, nasce como uma reação a este atitude ateísta, mas que acabou se tornando em terrorismo.
Neste sentido, o filme é uma parábola (ou seja, uma critica ao mundo moderno, ou pós moderno) que mostra os homens tentando se livrar de Deus, todavia, os homens se esqueceram que Deus é imortal.
Como se pode perceber a minha leitura não é de cunho apologético (descupem- me os conservadores fundamentalistas que vem em tudo o que não é cristão de forma negativa), mas de apreciação, tentando perceber qual é a contribuição do mesmo, no que diz respeito à reflexão teológica.
Concordo com a afirmação de Paul Tillich que diz: Deus esta presente na existência secular, tanto quanto está presente na existência sagrada. (TILLICH, 2006, P. 36).

Bibliografia
DEMOSS, Matthew S. Dicionário gramatical do Grego do Novo Testamento, São Paulo, Vida. 2004.
MARCONCINI Benito. Os Evangelhos sinóticos, São Paulo, Paulinas. 2004.
ALVES, Rubem. O que é religião? São Paulo, Edições Loyola. 2002.

TILLICH, Paul. Textos selecionados, São Paulo, Fonte Editorial. 2006. 



COX, Harvey. A cidade do homem: A secularização e a urbanização na perspectiva teológica. Paz e terra. Rio de Janeiro, 1971.
Refletindo sobre a fé


[1][1] Para uma leitura do cristianismo como uma religião secularizante ver: COX, Harvey. A cidade do homem: A secularização e a urbanização na perspectiva teológica. Paz e terra. Rio de Janeiro, 1971.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Uma data para relembrar...

Esta data nada comemorativa foi o dia em que criei o blog, com muitas dificuldades!
Estava querendo montar um blog a muito tempo atrás, mas não sabia como... rs' (Estava me sentindo como um homem da idade da pedra na era da internet).
O começo desse blog tem muita história!
Depois de voltar do futebol no CEU, com os meus amigos, perguntei ao Emerson, amigo desde a infância, se ele sabia como fazer um blog. E ele disse que não sabia (mas eu sabia que ele sabia rs... 'Desculpe minha redundância --'). Foi aí que entrou o Yuri, primo do Emerson, que me deu alguns toques de como montar este blog. Na verdade, ele me disse que nunca fez um blog, mas ajudou bastante.
Depois de muitas tentativas frustadas, deu certo.

Glórias a Deus!

Sejam bem vindos, para conhecer meu blog.